24.3.16

Vanguarda

Onde vais, majestade? Tua casa, teu reino, teu povo. O carvão, o aço, as aljavas.
Clamam, lamentam e acordam. Venha ver, as flores, o moinho, as cabras.

Onde vais, homem? Tuas armas, vosso deus, teu nome. O fogo, as lágrimas, o sino.
Avançam, uivam e tingem. Veja, a tempestade, a flâmula, os olhos.

Onde vais, covarde? Teu legado, tua filha, teu cálice. O sangue, a mitra, os corvos.
Gargalham, obliteram e cantam. Olhe. A ruína. Os vermes. O fim.

Volte aqui, intocável. Nada lhe restou.Não há lembrança do seu rosto.

A morte te ignora. Os lobos cospem em teus ossos. As estrelas apagam, beijando teu rosto.

E tu permaneces. Condenado. Amaldiçoado.

Querias mais um dia, pois fiques com todos.