10.1.12

Ópio

Arrebanha-se,
tal qual flautista de Hamelin,
perante as convenções, instituições.
Poda, estrangula a liberdade.

E vive! uma liberdade (não tão livre)

É a parábola do semeador
Semente que perece na terra inóspita
(atribuído ao que foge ao padrão, à regra)
e floresce o embrião que cai em terra boa
(como se todas fossem iguais)

Mas não! Há vida onde não se pode viver.
Basta querer. E parar de balir.











(E a única intenção desse escrito não é abrir-lhe os olhos mas lembrar-lhe que os tem)

Vis

Sussuro, 'você é bonita!'
Mas ela não acredita.

ou nos beijos ou nas palavras adjetivas

(Vis lábios)

Hermético

O azul dos seus olhos recorda um céu limpo quando alegre.
E às vezes, fecha-se olhar cinzento (ou nublado) envolvendo-se em trevas misteriosas.
Hermético.

Prefere-lhe o tom claro. Mas não dispensa o enigma.

Murmúrio

Ouço o murmúrio das águas
que é tão uniforme e ao mesmo tempo possui tantas variações íntimas...

Maleável
Volátil
Elemento, elementar

Remete a emoções, talvez. Ao Ser. A ser.
E não me espanta a lembrança que é nossa essência. Primordial.
A água, não a emoção.
Talvez.

9.1.12

Preço

O preço por conseguir o que você quer é exatamente ter o que um dia se quis.

Janela

Sol demais, frio demais, chuva demais.
Aquiete-se.
Há deleite.

Zanga-se com o que vê pela janela mas o que te incomoda é o que é visto da janela que é você.

Souvenir

Ah! esse meu ímpeto de escrever-te
de decifrar-lhe o sorriso
que você traz no rosto
um souvenir...