28.11.11

Ousadia!



O poeta é ousado.

Ousa falar de sentimentos,
de amores, de dores
de pensamentos, questiona
impõe, grita, confunde
Ousa limitar, expandir
Ousa falar de tudo, falar de nada

Como se entendesse alguma coisa...


Halo lunar



Uivam para a lua os que podem
Dama fria, pálida beleza
Escondem do sol os que temem
Deus das labaredas cegantes, da língua de fogo

Criaturas noturnas escravizadas pela rotina
Que sonham com tempos que eram amantes da lua

Ofuscados da verdade,
esquecem que são criaturas da noite
São lobos de faro aguçado,
São corujas de ouvidos vigilantes.



Há um vento que sopra
em qualquer lugar,
em qual lugar quer.

Música de flauta
habilmente tocada,
hábil mente tocada.




Contingente


Quero escrever versos convincentes
Quero dizer palavras persistentes
Ousadamente inteligente
Dar vida a esse sentimento florescente
Vamos lá meu bem, experimente.

23.11.11

Sépia



A menina olhava pela janela, estava tudo sépia. Inclusive a chuva.
Mas ela nem notou, só esperava o telefone tocar.





Rainha de copas




Esse sorriso fácil me encanta.
A chama nos olhos, a inquietude
a vontade e os sonhos
o carinho me desnuda, desarma
e novamente confesso,
todo receio (se algum dia existiu)
foi-se

Ó dama de copas, esse coringa
que ora é valete, ora rei
clama para que devolva seu coração.







(Um dos primeiros que escrevi.)

Último tango



Se encontraram no mesmo lugar que em todas outras semanas.
Mal se cumprimentavam e já estavam dançando no salão.
Por uma, duas, três horas. Não conversavam em palavras.
Não era necessário. Era ritmo, mãos e olhos.
Todos ficavam impressionados com a habilidade e elegância do casal.
No fim da música, simplesmente viravam as costas e cada um ia pra sua casa.
Eram pessoas totalmente diferentes e não se conheciam, sequer o nome.
E parecia certo.






21.11.11

Lucidez



Rogo-lhe, urro e uivo.
Escreva!
Seja um estandarte de cor e sentimento,
peleje por idéias absurdas
contra moinhos de apatia e dragões cinzentos.


Crua



Culpa-se deuses antigos, velhos demônios pelos os erros e defeitos.
Agarram-se a essa ilusão. Não acreditam (por ignorância ou simplesmente tolice) que são responsáveis pelos seus atos falhos. Acusam qualquer coisa, pura covardia.
No fundo sabem a verdade... mas odeiam encarar o fato.

Calíope



Não precisa acontecer para ser verdade.


A lebre e a tartaruga


A lebre queixava-se à tartaruga:

- É injusto, não é ? Você vive centenas de anos enquanto nós duramos poucos anos. Conseguirá fazer tudo que quiser, ir onde desejar entre tantas coisas!

A tartaruga sorria complacente e explicava:

- Mas lebre, você viverá o mesmo tanto que qualquer animal. Uma vida.




A noite



É inexplicável
Querer apagar essa dor inexistente
Você é a noite, caminho de estrelas
Tudo que não consigo ver,
que não consigo alcançar
E dirijo pela estrada sem iluminação
Você é meu caminho.
Não consigo ir sozinho.





(Bem velho, inspirado em the night)

17.11.11

Súbita


Ébria,
elegante,
fulminante.




(E de tão inquieto o fundo do copo arranhou a mesa)



14.11.11

8.11.11

Pêndulo




Esse pêndulo
me incomoda.

Quem o escolheu
para marcar o tempo
com seus movimentos ?

Confinado, encaixotado
Monótono, conturbado
Oscilando
futuro, presente, passado

Que vem...
Que vai....








(E me deparo lembrando o que não aconteceu ou planejando fatos consumados)




Cidade do pecado

Vesti o o sobretudo trançado, entrei na noite. Atravessei lâmpadas queimadas, cães carcomidos, mulheres-párias e becos sem saída. O isqueiro não me aquecia naquela noite fria, mas acendia meu malboro vermelho. Em um hotel decadente encontrei-me com Candy. Nome de vagabunda, combinando com mechas multi-coloridas. Cambaleei por aquele quarto insalubre, decorado por um tapete mais barato que a vodka na mesa. Não sabia se minha fraqueza era por excesso de álcool ou falta de sangue. Rasguei a camiseta, agora manchada de sangue coalhado e sujeira, mordendo a mão. A desgraçada cuidou de mim, me costurou e lavou. Mas se não fosse essa filha da puta, não eu estaria morrendo agora. Tinha tanto ódio nos olhos que ela nem me olhava.

Acho que desacordei porque só lembro da porta estraçalhar na minha frente. Os homens do Russo entraram na sala e o imundo do Dmitri estava com um sorriso macabro. Socaram-me o rosto e as feridas, que voltaram a sangrar. Com uma borboleta, rasgou um erre no meu peito. Perguntou-me onde estava a mulher, mas eu era durão. Um filho da puta durão. Cortaram um dedo da minha mão e uivei de dor. Candy choramingava no porão e eu conseguia ouví-la. Mulher imbecil. Acho que ela gostava de mim. Se meus algozes não a matassem, eu o faria. Ela se entregou, e os homens gargalhavam. Tiraram minha cara da poça do sangue, puxando meus cabelos. E gritaram que iriam brincar com ela na minha frente. O coturno esmagava minha cara no chão, forçando a assistir a cena. Mas eu era durão. Alcancei uma chave de fenda que perfurou a perna que me comprimia. Soquei o próximo com tanta força que ouvi o maxilar esmigalhar. Sobrou só Dmitri, que cravou a borboleta no meu ombro. Por alguns centímetros não perfurou meu pulmão. Rasguei sua jugular como uma fera. Minha doce Candy iria pra casa essa noite.

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Cidade do pecado, parte 2http://erreponto.blogspot.com.br/2013/01/cidade-do-pecado-parte-2.html

Desbravar





Do lobo que aqui existia,
sobrou somente o eco do uivos
(e marcas)


E toda dureza de seu coração,
feita em pedaços...
feito em pedaços...