28.8.11

Pedra-pomes

Às vezes me sinto naturalmente artificial
Um mergulho quente em águas frias
Sólido como pluma
Vendaval telúrico

Contornando as idéias
Atravessando os corpos

Um ímpeto tranquilo de afirmar o que não sei
E negar minhas certezas.

Espelho



Acredite mais nos olhos que em palavras.


É porta de ferro.
É alegria
e é tristeza.
Reflete.
Reflita.





Estige

Quando Tétis me mergulhou no Estige, segurou-me pelo coração.
Indestrutível, me disseram.

Ah...
Eu e o meu coração-de-Aquiles.

26.8.11

Girassol



Invejo o girassol
Sempre sorrindo
girando no carrossel
de amor e calor



Sol
Gira
Sol Gira Gira Sol
Gira
Sol







25.8.11

Raiz funda



Toda saudade arde igual ferrete
Todo cerne curado doí no frio
Ferido coração velho pelo florete
Uivo prostrado do lobo vadio


24.8.11

Almirante

Sou lobo do mar
Tenho coração de pirata
Inquietude que só
um barco pode sanar

Cão do mar, covarde
Flagelo, são minhas alcunhas
Vivendo cada moeda
Matando cada patife

Finjo, minto
Roubo, bebo
Luto, cuspo
Morro e nado.

Nado e nada a temer.
Podem matar o almirante
o corsário, o pirata
Mas eu sou lobo do mar.
E não tenho medo de nada.

Poesia



Quando as palavras estão em descompasso com o coração.



19.8.11

Cinza e fumaça



As flechas são farpas incandescentes no coração.
Queima quando entra e logo apaga. Confundem-se com a paixão.
Mas a farpa incrusta. Tente removê-la sem sofrimento, desafio!
Contorça de dor!
Quanto a mim ? Tenho coração de madeira.

Cuidado, não se iluda. Não é insensível, imune às farpas.
Elas ainda entram e fragmentam.
Mas elas queimam e não apagam. (Faço muita fumaça.)
Consome.







Incrusto.





Removo.





Contorço.



Grilhões



Troquei minha liberdade pelo amor.
E ele quebrou meus grilhões.


Coringa

Batiam no bobo-da-corte,
que era mudo.
gargalhavam, chicoteavam
Coitado!
nunca perceberam...
Ele gritava, chorava, dançava.
Eles eram surdos.

Ícaro era...

A pessoa certa no lugar errado.


[...]


Tão difícil plainar.
Não combino com o moderado.
Entre o sol e o mar, prefiro o sol e prefiro o mar.
Queria ser Ícaro.
Derreter no sol e mergulhar no mar.

18.8.11

Dizem

Dizem que a ignorância, por vezes, é uma dádiva.
Pensar demasiadamente pode doer, cansar...
Mas eu não sou capaz de abraçá-la.
Sou sedento.

Dizem que não devemos nos expor.
Perder a sensibilidade é o conselho.
É algum temor de tocarem-lhe a alma ?
Prefiro o toque
que afaga ou que arranha.

Dizem que o mundo é dos espertos.
Tem que ser malandro, tem que ter jeitinho.
A sobrevivência do mais forte.
Repúdio. Abominação. Fascismo.


Dizem, dizem, dizem.

Falam tanto e não dizem nada que valha a pena saber.

12.8.11

Corujas



Estamos todos no telhado.
A maioria de nós olha para o céu.
Mas alguns procuram as estrelas.













Música (para os olhos)



A bailarina apoia na ponta dos pés
Não sabia se queria alcançar ou voar.

A bailarina salta graciosa
Não sabia se queria alcançar ou voar.

A bailarina girou em seu próprio eixo
Não sabia se queria alcançar ou voar.

Ela queria voar e alcançar.
Ela queria alcançar para voar.


Timidez


Acordei um pouco tímido.







(suspiro)





Adjetivo



Havia muito tempo que ninguém passava ali
O caminho era ( )
O lobo sem nome trilhava sem pretensões
E deixava pegadas.









Milagre

Estava preso em uma redoma translúcida. Pouco espaço pra se movimentar. Ouvia milhares de sons abafados do outro lado. Parecia chamá-lo. Debatia-se mas sua prisão restringia seus movimentos. Tentou gritar mas não havia ar nos pulmões. Movendo o pescoço, atingiu as paredes da redoma com o rosto. Trincou. Com esforço titânico, repetiu o movimento. A camada cedeu. Sentiu o toque da luz do sol. Sentiu o ar matinal no peito. Ouviu seu pai cantar. Nasceu.

Definição


R.
Erre.
Erre o ponto


11.8.11

O amor da menina


Não é preto nem branco
é cinza,

Não é cinza nem fogo
é brasa,

Não queima nem apaga.

Aquece.

Demora.


Fogo fátuo

- Vô Pedro, conte uma história pra gente.

O um dos prazeres do velho de barba branca era deleitar os netos com suas estórias. Seus filhos e filhas não gostavam disso. Todas as vezes as crianças ficavam morrendo de medo e tinham pesadelos. Os pais falavam para elas que eram contos de fadas.

- Contos de fadas. Há! Se seus pais soubessem como são as fadas, não denominariam assim.

- E como são as fadas, vôzinho ? Perguntou a menina mais nova.

- Essa é outra estória, Vi.


"Dois homens pescavam no pantanal, em um barco. O pai, ensinava o filho a pescar com vara de carretilha. Fazia muito tempo que não viajavam juntos, desde que o rapaz havia passado no vestibular. Precisamente, seis anos. Conversavam baixo, para não espantar os peixes. Queriam um belo de um pintado, mas só estavam pescando jaú. O pai comentou:

- Toda vez que venho pescar no pantanal lembro do meu pai, seu avô. Ele vivia me aterrorizando com a lenda do Boitátá, que sempre aparecia em brejos e pântanos.

- A cobra de fogo, pai ?

- É. De vez em quando apareciam algumas luzes em cima da água e ele me dizia que o Boitátá observava. Era um vigilante.

- A propósito, pai, eu disse cobra, mas aqui no Brasil praticamente não existem cobras. É tudo serpente.

- Sério ? Orgulhava-se da inteligência do filho.

- Sim. O filho sabia que o pai, apesar de ser um fazendeiro muito rico, não era muito instruído. Apesar disso era sábio e perspicaz.

- Mais uma coisa pai. Essa lenda da serpente de fogo. Na verdade não passa de uma ilusão. É só fósforo branco.

Parou de falar, por alguns segundos pensou que tinha fisgado alguma coisa. O pai, sem entender o que o filho disse, brincou:

- Só porquê você agora é doutor, não precisa se exibir pro velho."


- Peraí, peraí. Vôce não é médico, vovô ? Essa história é sua com seu pai?

- Mauro! Pra variar, impaciente, né? Vou terminar a história.


"O rapaz respondeu:

- Ah, desculpa pai. Não era a intenção. Fósforo branco é uma substância que é liberada de animais mortos, em decomposição. E quando entra em contato com o ar, entra em combustão. Quer dizer, pega fogo.

- Mas porquê o Boitátá persegue quem corre dele ? Meu pai me disse que quem o vê, pode ficar cego ou louco. Deve-se ficar parado, de olhos fechados.

- Olha, provavelmente é o movimento do ar de quem foge da explosão. "Puxa" o fogo. Louco eu não sei, mas o fósforo branco pode queimar bastante. É usado em fogos de artifício, afinal.

- Hum... sei não, filho.

- Mas pense, pai. O Boitátá protege os campos e as floresta de quem planeja queimá-los. A palavra é tupi-guarani. Mboi é serpente, tata é fogo. É uma lenda, um mito.

Ficaram em silêncio por alguns minutos. Ouviram um barulho na água mas era só um jacaré saindo para a margem.

- Falando nisso, o senhor vai queimar a pastagem inteira de novo?

- Vou. E tô precisando de mais gente trabalhando lá. O pasto tá ficando ruim.

- Mas eu já te disse pai, queimar é prejuízo. O senhor não tá pensando no longo prazo. O solo se esgota. Você deveria construir um silo e armazenar o feno. A namorada de um amigo de faculdade é especialista nisso. Se o senhor quiser, posso falar com ela.

- Mas uma moça, filho ?

- Pai, com todo respeito, mas o senhor vive no passado.

Ouviram outro barulho na água e viraram para ver o que era. Era um fogo fátuo, fósforo branco em combustão. O rapaz disse com uma risada.

- Olhe, pai. O seu Boitátá.

Aterrorizados, viram uma imensa serpente com olhos em chamas emergir do rio."


- E foi assim, crianças, que seu bisavô ficou cego. E eu passei a contar estórias.

Ninguém dormiu naquela noite.



10.8.11

Sacrifício

Safira: Parte V


A batalha foi feroz. A águia gigantesca perfurava o ventre de Prometeu, que urrava de dor. Ramessés voava com o vento e disparava ininterruptamente. Hércules investiu em direção a ave colossal e esmurrava sua pata, quebrando ossos da garra da criatura. Os djinn golpeavam as asas que jorravam um sangue intensamente vermelho.

A luta era cruel. Em contrapartida a águia perfurou o braço de Hércules, expondo sangue e osso. Com uma das garras, subjugou Olavo que era esmagado e rasgado com uma força descomunal. O gato cinza, escondeu-se aterrorizado. O outro, que era preto, viu-se sem saída entrou no combate. Todos iriam morrer se não optasse por isso. O bote foi pavoroso. O que era o gato, agora pantera, com garras e dentes de ferro rasgaram o pescoço da ave. Safira estava atordoada com tamanha ferocidade do combate.
A intervenção do filho de Bast não foi o suficiente para impedir a morte de Olavo. Farrak caiu de joelhos do lado do seu amigo, seu irmão. Lágrimas evaporavam de seus olhos. Safira correu para arrastá-lo de lá e ao ver o corpo de Olavo esquartejado, vomitou. Hércules, com um esforço sobre-humano, segurou as asas da águia gigantesca, que se debatia com a pantera pendurada no pescoço. Ramessés perfurou os olhos com disparos e a ave de rapina aceitou seu destino. Farrak escondia o rosto com as mãos cobertas de sangue. O gato cinza lambia o irmão, que agonizava. Sacrificara-se. Hércules partiu as correntes de Prometeu. Em outros tempos precisaria de da imortalidade de Quíron para trocar pela liberdade do titã. Mas Zeus estava morto.

- Titã, te libertamos. Você deve a vida a nós. Responda as perguntas da mulher.

- Hércules, mais uma vez você cumpriu seu destino e me salvou. Meu débito é eterno como foi e como há de ser. É eu já esperava pela menina. Pois eu sou Prometeu, e sei onde está o fogo.

O sol dourado beijava o horizonte enquanto Ramessés, Hércules e Farrak acendiam as piras onde estavam o gato e Olavo sem dizer uma palavra. Safira afagava o gato cinza, que parecia chorar. De todos, era o djinni quem ela mais gostava. O fogo crepitava.

Com olhos marejados, Safira aproximou-se de Prometeu e programou o computador para traduzir grego antigo.

- Prometeu. Onde está o fogo ?

- Com você, Safira. O tempo inteiro.

Ela não compreendeu e lembrou-se da conversa com a Cartomante.

- Mas a Cartomante disse que estava no "lugar mais difícil do Tudo, no lugar mais fácil do Nada."

- E ela poderia ter mentido. Mas não o fez.

- Como assim ? Não entendo! Gritou as últimas palavras, chorando.

- Siga para o norte e descobrirás. Você deve viver, essa é a sua tarefa. Você é a portadora do fogo. Você tem a bússola e amigos formidáveis. Eu ficarei aqui e atrasarei o que te persegue.

Farrak perguntou:

- Você sabe quem ou o que é ?

Prometeu respondeu, virando-se para Safira.

- Sei. Você ainda não percebeu, menina ? Você é última mulher, a última humana. Você não deveria estar viva. É a Morte. Quem te persegue, é a Morte.

9.8.11

Máscara

A vida era o palco de Arlequim. Dançava invisível, era criatura de desejo e luxúria.
Certa vez, em um festa, apaixonou-se por uma mulher, sua Colombina. Ardiloso, entregou seu coração envenenado. Era um baile de máscara e Arlequim era o mestre dos disfarces. Dançava e flertava com todos. Exceto uma mulher sentada no balcão. Perto dela um cinzeiro e uma garrafa de uísque puro malte. Sentou-se ao seu lado e perguntou-lhe:

-O que está fazendo aí sozinha ? Por quê a tristeza ? Venha dançar, viver.

A bela moça, que estava fantasiada com uma túnica branca e uma máscara com penas de pavão assustou-se com a pergunta mas vendo quem era respondeu.

- Estou sofrendo, Arlequim. Estou amando. E não sei se ele me ama.

Arlequim, planejando deixar sua Colombina enciumada, convidou a mulher com voz doce:

- Mas uma moça tão linda. Dance comigo e esqueça tudo! Não faz bem remoer sentimentos. Venha, disse tocando a mão da moça.

Indiferente, ela respondeu:

- Obrigada, mas não. Tudo me parece incerto e vago. Estou apaixonada por um homem e não sei o que fazer. Estou deprimida. E acho que ele não me ama.

Arlequim, que era luxúria e desejo estranhou a recusa da mulher. Isso nunca tinha acontecido antes. Percebeu que ela que era sua Colombina. Explodiu de amor e ciúmes do homem. Certamente era Pierrô. Vil como era, sugeriu:

- Menina, tenho a solução. É simples. Ouvi dizer que o Cupido está nesse baile. Vamos procurá-lo e fazê-lo curar seu coração.

Isabel respondeu, em lágrimas.

- Mas Arlequim... eu sou o Cupido.






(Inspirado em Watchmen)

7.8.11

Metamorfose

Há pessoas que entram em seus casulos
pra escreverem versos de suas vidas.

(Esporadicamente-sempre acontece com todo mundo)

O objetivo é claro
transformar a solidez

(casulo)

em leveza, voar.

Algumas pessoas eclodem borboletas
outras mariposas

borboleta, mariposa
eu gosto de borboleta
mas adoro a mariposa

Flamengo

Certa vez eu ia falar do Mengão
Das intempéries no estômago
Do zunido nos ouvidos
Do coração acelerado
Do grito alucinado

Mas lembrei que só escrevo
do que cabe no coração.

Reflexo


Me inspiro em outras pessoas,
outros lugares, outras palavras

Parte da inspiração são vocês.

Ou seja,
Quando escrevo sobre vocês
por definição, falo do que é m(eu)

(Exceto quando escrevo sobre mim. Aí é poesia de vocês)


Pena

Ela correu, correu e correu.
Estava desesperada. Ia explodir.
Ignorando tudo em seu caminho, correu
Pena, ela sentia.

Ela correu, correu e correu.
Urgia. Chegou no seu destino.
Sentou-se pegou a caneta
e o caderno. E explodiu
em poesia.

5.8.11

Impertinência



É pretensão minha fazer poesia sobre o Amor.
Mas o meu amor é só poesia.


Passarinho



Hoje eu assoviei poesia.
Foi curto e foi belo.
Olhei para os lados e Ninguém (ou)viu.
Imagine a vergonha!
Ninguém me ou(viu) passarinho.

Filho da lua, filha do sol



Meu pai era a lua.
Me dava coragem iluminando a escuridão.
Minha mãe era o sol.
Me dava carinho esquentando o coração.

Corria por toda terra. Dançava em todas montanhas.
Uivava para o pai como lobo.
Piscava como vaga-lume.
Piava imitando coruja.
Coaxava como sapo.
Gritava, morcego.
Caçava. Gato.
Tudo isso para mostrar para o pai que o amava.

Dormia por toda terra. Pulava em todos rios.
Cantava para a mãe como rouxinol.
Mudava como camaleão.
Sorria imitando girassol.
Cativava como a raposa.
Respirava, grama.
Pensava. Macaco.
Tudo isso para mostrar para a mãe que a amava.

Não se sentia só.
O pai iluminava a escuridão.
A mãe esquentava o coração.





Sertão

A cigarrilha entre os dois dentes mostrava que ele era uma matador experiente. Mordia o copo de dose sentado no tamborete manco. Olhou para o lado direito e um homem dormia no balcão, com o chapéu de couro no rosto. O rádio velho ecoava.



"Se entreeeeeeeeeeeeeeegaa, Coriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisco!
Eu não me entrego não
Eu não sou passarinho pra viver lá na prisão"


Cuspiu no chão de terra batida e o dono da tapera balbuciou alguma coisa . Coçou a barba crespa e seca despretensioso. Apoiou os cotovelos surrados no balcão e intimidou com olhos de gavião o velho impertinente.



"Se entreeeeeeeeeeeeeeegaa, Coriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisco!

Eu não me entrego não
Não me entrego ao tenente

Não me entrego ao capitão"



Dois homens fardados entraram no casebre sem porta. Um andou até sombra quente da janela e o outro de bigode ficou na entrada. O matador observou a expressão de terror no rosto do dono e tateou discretamente a jaqueta de couro curtido. Sentiu o cabo frio da pistola. O homem de bigode preto falou:

- O tempo do cangaço já acabou, sem vergonha. Lampião tá morto. Renda-se que o coronel vai perdoar.

Tragou a cigarrilha pela última vez naquela região.

A chama apagava-se enquanto girava em direção da janela.

O bandido esquivava-se enquanto girava em cima do balcão.



"Eu me entrego só na morte

De parabelo na mão

Se entreeeeeeeeeeeeeeegaa, Coriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisco!
Eu não me entrego, não!
Eu não me entrego, não!

Eu não me entrego, não!"



4.8.11

O lobo e o homem



O lobo uiva.
Mostra-se,
Existe.

Existe para seus semelhantes.
Na alcateia são.
Uivam por amor
Para sobreviver
Expõem-se.

O meu uivo é a palavra
Escrevo, falo.
Mostro-me,
Existo.


Fractal III

Uiva para o (in)finito
e compartilha tudo aquilo
que fascina,

se o mais velho não tivesse tentado
se a caçula não fosse apressada
se o segundo não tivesse esperado


na malha do destino
Tantas possibilidades


É extravagante dizer que
Se algum dia houve um
milagre...

foi a concretização
do infinito
das possibilidades
no infinito
de nossa amizade

os caminhos dispersam
e convergem























...
















Como nadar

Viver é como nadar
às vezes
frio
às vezes
bem refrescante



Um mergulho bem fundo nadando para a luz
o sangue ferve como embolia, no amor
a escuridão nessa profundidade
assustadora como a solidão
mas chega-se no topo
e enche o pulmão
sopro da vida
plenitude

mas

o homem
inquieta-se
nem o ar, nem a lua
nem o mar o faz parar
atribui-se um novo destino
escolhe-se uma nova direção
por que a vida é assim, é como nadar


2.8.11

Filme

- Sabe... ontem eu vi um filme assustador - disse tragando o charuto.

- Qual ? Perguntou o outro, distraidamente.

- Não lembro o nome. Acho que era "A maldição" ou algo assim.

- Certo. E aí ?

- Ah! O filme era de uma garotinha que morreu e assombrava todos os anos seus assassinos na data de sua morte.

- Hum... Só isso?

- Mais ou menos.

- E você se assustou ? Você ?

- Qual o problema ?

- Nenhum. Rafael, o mão divina, com medo de uma garotinha.

- Você sabe que eu odeio sarcasmo.

- Foi mal. É que não entra na minha cabeça.

- Assista. É terrível. A propósito, já tá na hora ?

André olhou o relógio e faltavam treze minutos.

-Quase. Os dois homens carregaram seus rifles.

Passaram alguns minutos e eles observavam os demais soldados de sua unidade avançarem para o próximo ponto. André apoiou-se no capô do carro com a arma apontada. Voltou rapidamente para trás do carro.

- Um caçador às dez, um gordo às duas e vários zumbis entre eles.

- Mas me diga uma coisa, Ervilha. O que aconteceu lá em Brasília ?

- Não quero falar sobre isso. Se a gente sair vivo dessa, eu te conto.




1.8.11

Fractal II


Uiva para o infinito.
e entende tudo aquilo
que acredita,


Um universo
no grão de areia
na praia
no brinquedo
na criança
na cidade
expandindo
expandindo
expandindo
até Tudo.



Tantas possibilidades


Uma (pessoa) e Tudo faz sentido.





















..